domingo, 8 de janeiro de 2012

O rio Pataxó ‘volta’ ao seu lugar
MAGNOS ALVES
De Ipanguaçu
Há vários anos que a população do município de Ipanguaçu sofre com inundações. Basta o inverno ser bom para que o rio Pataxó transborde e as águas das chuvas invadam as casas dos ipanguaçuenses.
O problema se tornou mais crônico a partir do momento que o trajeto natural do Pataxó passou a ser interrompido.
Por diversas razões, o rio sofreu alterações ao longo do seu percurso e se tornou mais raso e estreito, não comportando mais toda a água que cai em anos de boas chuvas.
Para resolver o problema, o poder público não encontrou outro caminho a não ser refazer o trajeto original do Pataxó, mesmo que seja na marra.
Máquinas alugadas pelo Governo do Estado e com o acompanhamento da Prefeitura de Ipanguaçu trabalham desde o dia 21 de dezembro na limpeza e no alargamento de boa parte do percurso do rio.
A intenção é fazer esse tipo de serviço em 8 ou 10 quilômetros, dos 21 que o Pataxó possui, nos próximos 15 dias.
Ainda se trata de uma ação paliativa (a solução do problema só será possível com a dragagem do rio), mas que já deve minimizar os efeitos de uma possível enchente nesse ano.
Segundo Genilo Rodrigues, secretário de obras em exercício de Ipanguaçu, todos os bairros da zona urbana que eram atingidos (Ubarana, Frei Damião, Maria Romana e Manoel Bonifácio) estarão livres das inundações com o serviço que está sendo feito. "Considerando que o açude Pataxó sangre com uma lâmina de até 60 centímetros, que foi o índice desse ano e que provocou inundações em toda a cidade", observa o secretário.
O problema vai ficar restrito às áreas ribeirinhas, o que diminui consideravelmente os prejuízos do município.
Além disso, outras medidas preventivas estão sendo adotadas, enquanto a dragagem do rio não é feita. "A prefeitura já fez a limpeza do canal que leva água para a lagoa de ponta grande e vai construir pontilhões nas passagens molhadas localizadas nas regiões ribeirinhas", elencou Genilo Rodrigues.
As inundações se tornaram mais freqüentes a partir de 2004, quando o processo de assoreamento do leito do rio Pataxó se ampliou.
Em 2011, cerca de 75% das residências de Ipanguaçu, que tem 13 mil habitantes, foram atingidas.
A fruticultura, principal fonte econômica do município, também foi prejudicada e demitiu mais de três mil funcionários. "Esperamos que esse seja o último ano em que Ipanguaçu sofra com inundações", declarou Genilo.
Moradores esperam que o rio se ‘comporte’
O simples serviço de limpeza do rio Pataxó está trazendo esperança para parte da população de Ipanguaçu.
Acostumadas com os prejuízos causados pelas rotineiras inundações, muitas famílias esperam que o rio se "comporte" e não faça as águas do possível inverno entrar em suas casas.
A dona de casa Marlene Fonseca Miranda diz que "tem fé em Deus que não vai precisar sair de casa nesse ano".
Ela relatou que muitas vezes já teve que fugir de casa durante a madrugada junto com toda a família.
O seu esposo, o senhor Luis Varela Miranda, lembra que há alguns anos a água não chegava até a sua casa, mesmo com o inverno sendo muito forte. "Esse problema surgiu depois que a Finobrasa chegou e começou a alterar o percurso do rio", reclamou.
Há 40 anos morando no bairro Ubarana, Lulinha Miranda, como é conhecido, disse que vem acumulando prejuízos ao longo dos anos. "No vai e vem, a gente perdeu tudo que é móvel. Sem falar que muitos a gente nem consegue tirar de dentro de casa a tempo", relatou.
Por Jaime

Nenhum comentário:

Postar um comentário