O grande aiatolá Nasser Makarem Shirazi, uma das principais
autoridades religiosas do Irã, pediu neste sábado aos jovens seguidores
do regime que não violem a lei em relação aos outros países para evitar
sanções internacionais. Em declarações à agência Irna da cidade
santa de Qom (200 km ao sul de Teerã), Shirazi fez referência aos
ataques à embaixada britânica em Teerã na terça-feira e disse que "os
jovens revolucionários não devem dar nenhum passo fora da lei".
De acordo com o clérigo, o Reino Unido "não só deu o primeiro passo
para impor sanções como convidou outros países a fazê-lo", por isso os
jovens radicais islâmicos "não devem violar nenhuma lei sem a permissão
do líder supremo e das autoridades." "Alguns jovens tomaram atitudes que
violaram a lei e isso serve de desculpas para o inimigo, depois temos
de pagar caro", disse Shirazi, reconhecido como grande aiatolá, a
categoria mais alta entre os clérigos muçulmanos xiitas.
Na opinião de Shirazi, "não há duvidas de que o Reino Unido é um
inimigo conhecido e temos lembranças amargas de suas intervenções
indevidas em nosso país", mas com os ataques à sua embaixada em Teerã,
os iranianos dão motivos para sofrerem novas sanções e permitir que
outros países façam o mesmo. O chefe da polícia do Irã, general Ismayil
Ahmadi Moghaddam, disse neste sábado que 12 pessoas foram presas na
terça-feira pelo ataque à embaixada britânica em Teerã e detalhou que os
detidos foram entregues à Justiça.
Moghaddam disse à agência Fars que a polícia fez tudo o que
podia para proteger a embaixada atacada pelos radicais islâmicos, que
queimaram a bandeira do Reino Unido, causaram danos e detiveram um grupo
de diplomatas e empregados durante horas. Os países da União Europeia
duvidaram da adoção de medidas necessárias para proteger a delegação do
Reino Unido pela polícia e as autoridades iranianas. Uma fonte
diplomática disse recentemente que os responsáveis das missões
diplomáticas europeias em Teerã acreditam que o incidente não foi
espontâneo, mas coordenado.
Depois de 21 de novembro, quando o Reino Unido, Estados Unidos e
Canadá impuseram novas sanções financeiras ao Irã, o parlamento de Teerã
aprovou em 25 de novembro uma lei para reduzir as relações com Londres
ao nível de negócios e expulsar o embaixador britânico. Organizações
estudantis radicais islâmicas se reuniram em 29 de novembro em frente à
embaixada do Reino Unido para protestar contra as sanções, o que levou
ao ataque a dois escritórios diplomáticos britânicos.
Em 30 de novembro, o Reino Unido fechou sua embaixada e seus
serviços em Teerã e retirou todo o corpo diplomático. O país deu ainda
48 horas para todos os diplomatas iranianos fecharem sua embaixada em
Londres e abandonarem o território britânico. A UE, em reunião de
ministros das Relações Exteriores em Bruxelas em 1º de dezembro, também
aplicou novas sanções financeiras e pessoais as empresas e indivíduos
relacionados ao regime iraniano e ameaçou com eventual embargo ao
petróleo.
Fonte/ Terra Brasil - por Jaime

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